20 setores que transformarão a economia global no pós-pandemia

A pandemia de Covid-19 causou um ponto de disrupção econômica que está fazendo a sociedade encarar com outros olhos a maneira de produzir valor



Na última quarta-feira (20), o Fórum Econômico Mundial (FEM) divulgou um levantamento sobre 20 mercados que são verdadeiras promessas no desenvolvimento de uma economia global sustentável. O estudo dividiu esses setores em conservação do planeta, capacitação e proteção de pessoas e avanço do conhecimento. A expectativa é que eles possam mudar a forma de consumo e a relação que temos com o meio ambiente e com os negócios, desde que sejam desenvolvidos por meio de uma agenda comprometida com inovação, tecnologia e transformação socioinstitucional.


Segundo a análise feita pelo FEM, a pandemia de Covid-19 causou um ponto de disrupção econômica que está fazendo a sociedade encarar com outros olhos a maneira de produzir valor. Essa nova visão sobre os mercados do amanhã foi feita com base em segmentos que têm potencial de suprir a nova demanda: o fornecimento de bens e serviços essenciais para enfrentar o futuro ambiental e digital.


O levantamento, identificou ainda sete condições para que os segmentos promissores possam florescer em um ecossistema completo: inovação (produto ou ativo relevante que pode ser produzido de forma sustentável e em escala); produção (iniciativas maduras para fornecer produtos e ativos confiáveis para o mercado); consumo (demanda suficiente para sustentar um mercado comercialmente viável); padronização (definição clara de padrões de mercado para que os produtos possam surgir e se tornar uma possibilidade entre os atores do ecossistema); valor (convergência e senso comum do valor social e mercadológico do novo produto ou ativo); codificação (estruturas legais claras para que o produto ou ativo existam e tornem o mercado economicamente e legalmente viável); e estrutura (verificar a necessidade de intervenções na infraestrutura do negócio para a concepção do produto ou ativo).


Além do apoio governamental e estímulo que facilitem tais mudanças e desenvolvimento mercadológico no âmbito fiscal e de crédito, o relatório do FEM pontua que se faz necessário o envolvimento de todos os agentes e estruturas da sociedade – indivíduos, organizações, ciências, tecnologias e regras de mercado e órgãos reguladores.


1) Veículos elétricos

Veículos movidos a eletricidade ou propulsão. A categoria de automóveis elétricos faz parte do grupo de transportes “zero emissão”, considerados não poluentes: não emitem gases nocivos e são mais silenciosos que as demais categorias.


2) Licença para emissão de gases

A iniciativa visa limitar a quantidade de gases do efeito estufa que são emitidos por determinada região ou companhia. A licença de emissão é uma permissão comercializável, em um mercado nacional ou internacional, que permite ao detentor emitir uma unidade fixa de poluentes, como o dióxido de carbono.


3) Hidrogênio

O hidrogênio é o elemento mais abundante no universo e responde por cerca de 90% dos átomos existentes. O elemento, que não é encontrado isoladamente na natureza, tem ganhado espaço no mercado como alternativa energética graças à sua capacidade de complementar energias geradas com fontes renováveis.


4) Reciclagem de plástico

O plástico transformou a indústria e tornou o consumo mais acessível a partir da segunda metade do século 20. Entretanto, o crescimento de sua aplicação e comercialização provocou impactos ambientais relacionados ao descarte do material, problema que representa uma oportunidade de reaplicação e reuso para um desenvolvimento mais sustentável. O mercado da reciclagem do plástico pode ser mecânico (o material é transformado em um novo produto), químico (o composto é transformado em óleos e matérias-primas para combustíveis) ou energético (quando a queima do plástico é aplicada na produção de energia).


5) Serviço de reflorestamento

Visto anteriormente como alternativa de conservação e preservação, o reflorestamento e seus serviços podem também ser uma alternativa comercial para as indústrias madeireiras, de celulose e resinas e outros produtos operarem de forma mais sustentável. O reflorestamento pode ser feito de forma homogênea, quando há o plantio de uma única espécie, ou heterogêneo, quando a técnica aplicada envolve diferentes exemplares de plantas e visa restituir uma área desmatada.


6) Monitoramento e qualidade da água

O mercado de qualidade da água é mais um segmento que visa diminuir o impacto ambiental, fazer a gestão dos recursos e oferecer um produto idealmente tratado para seus fins. O setor envolve o pré e o pós-tratamento da água para fins laboratoriais, industriais e domésticos.


7) Antivirais de amplo espectro

A pandemia de Covid-19 trouxe a preocupação com o que é invisível aos olhos: vírus, germes e bactérias. Como resultado da crise que enfrentamos, o mercado de antivirais têm proposto soluções de proteção bem recebidas pelo consumidor, que vão de medicamentos a produtos desinfetantes, passando por tecidos com tecnologia antiviral.


8) Cuidados

Como em muitos outros setores da economia, o segmento de cuidados sofreu com as consequências do isolamento social no início da pandemia, mas, por outro lado, saiu fortificado pela preocupação das pessoas e um olhar mais atento para si mesmas. O setor, que é uma das grandes promessas econômicas, envolve não só cuidados com a saúde, mas também com a higiene, beleza, condicionamento físico, psicológico, animais, casa, filhos e idosos.


9) Dados

No século 21, a grande moeda de troca é a informação, também traduzida em dados. Neste sentido, a principal tendência do mercado é a proteção de informações de usuários, consumidores e, consequentemente, de empresas que têm acesso a essas informações. No Brasil, o segmento ganha uma atenção a mais com a recente implementação da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), já vigente em alguns outros importantes territórios como a União Europeia.


10) Serviços financeiros digitais

Os serviços financeiros digitais são mais um subproduto do amplo uso da internet. A ideia é facilitar as transações e a vida do consumidor por meio de soluções que evitem processos demasiadamente burocráticos e até deslocamentos físicos para realizar operações ou resolver questões de cunho financeiro.


11) Edtechs e serviços de requalificação

Focadas em criar soluções que apliquem a tecnologia ao setor da educação, as edtechs representam uma maneira nova de transmitir conhecimento. Para além das salas de aula, essas empresas promovem novos produtos, plataformas online e experiências individualizadas, com vistas a aprimorar o sistema educacional. Frente à intensa concorrência no mercado de trabalho, requalificar nossas capacidades e aprender novas competências são iniciativas que aumentam as possibilidades de desenvolver um plano de carreira no ambiente empresarial em um mercado cada vez mais competitivo.


12) Serviços de transporte baseados em hiperloop

Hiperloop é o sistema que transporta passageiros e cargas em cápsulas dentro de tubos metálicos com ar de baixa pressão. Com turbinas e imãs para evitar o contato com os trilhos, o modelo permite alta velocidade, chegando até 1.200 km/h. Silencioso, autônomo, rápido e limpo, o projeto também tem o seu viés de sustentabilidade, visto que utiliza painéis solares para gerar mais energia do que necessita para a operação, tem uma estrutura de pouco contato com o solo e pretende driblar os possíveis planos ecológicos na construção dos tubos. Como uma combinação entre ferrovia e dutovia – transporte feito por tubos –, o novo sistema de locomoção é defendido como uma maneira segura, por meio da automatização que impede possíveis erros humanos, e com grande retorno financeiro.


13) Novos antibióticos

Segundo declarações da OMS em janeiro deste ano, a queda do investimento privado e a falta de inovação estão causando um baixo fluxo no desenvolvimento de agentes antibióticos. O diretor do órgão da ONU, Tedros Adhanom Ghebreyesus, citou em um comunicado que “a ameaça de resistência antimicrobiana nunca foi tão imediata, e a necessidade de soluções, mais urgente”. Apesar das iniciativas já em andamento, há um pedido para que as indústrias farmacêuticas se envolvam e ajudem no financiamento de novos antibióticos, já que a participação de tais empresas está diminuindo, dando lugar a pequenas e médias empresas


14) Medicina de precisão e medicamentos órfãos

A aposta é que essa abordagem é o futuro da biomedicina, uma vez que trata de medicamentos mais específicos e tratamentos menos invasivos. Os chamados “medicamentos órfãos” são remédios direcionados a doenças consideradas raras – segundo o FDA, síndromes que atingem menos de 200 mil norte-americanos. Com uso de tecnologias avançadas, como engenharia genética e de tecidos, os medicamentos têm um alto grau de exatidão no tratamento das doenças. Dessa forma, a “orfanização de distúrbios comuns” aumenta o alcance da medicina de precisão, pois promove tratamentos mais específicos e menos desconfortáveis.


15) Capital de habilidades

O novo mercado de trabalho pós-pandemia moldará um novo cenário do meio corporativo. Para além do conhecimento técnico, exige-se a união entre habilidades, experiências e capacidades do profissional. As empresas mostram-se mais dispostas a investirem no desenvolvimento como forma de potencializar a organização e dar base a tomadas de decisões. A partir do momento em que o trabalhador tem uma habilidade comportamental desenvolvida, ele corre atrás do aprendizado técnico; caso contrário, o conhecimento fica retido.


16) Seguro desemprego

A instabilidade econômica mundial nos últimos anos potencializou o processo de substituição dos contratos permanentes para acordos temporários, como freelancers e prestadores de serviços. Segundo Paolo Gallo, conselheiro sênior do Fórum Econômico Mundial, a inconstância do emprego posiciona os cidadãos fora da rede de bem-estar social, como seguro-desemprego, plano de saúde, previdência social ou férias remuneradas. Para Saadia Zahidi, diretora do FME, “enquanto emergimos dessa crise, líderes terão uma oportunidade notável de criar novos empregos, apoiar salários dignos e reimaginar as redes de segurança social, a fim de atender os desafios nos mercados de trabalho do futuro”.


17) Inteligência Artificial

Apesar do ar futurista, a inteligência artificial já é realidade. Com a pandemia do novo coronavírus, empregos e tarefas cada vez mais dependentes da tecnologia criaram necessidades de elaboração de políticas de regulamentação nos governos. A praticidade e avanços vistos no mundo corporativo durante o período fez empresas desejarem uma tecnologia promissora para potencializar o novo modelo de trabalho remoto e diversificar as vantagens competitivas. Mas para que a inteligência artificial tenha um impacto positivo, ela deve ser integrada a outras tecnologias.


18) Genes e sequências de DNA

A utilização da informação genética permite um avanço da qualidade de vida quantitativa e qualitativa, destacando os melhores diagnósticos e tratamentos. Para evitar mutações e potencializar resultados, o manuseio genético tem sido muito estudado no últimos anos. Apesar do conflito ético e tecnológico, o estudo visa a melhoria de vida do homem, ao mesmo tempo que promove economia para as sociedades, como o estudo e a seleção de espécies mais rentáveis e produtivas para a agricultura e a pecuária.


19) Serviços de satélite

Os satélites representam as ferramentas mais precisas para responder a perguntas fundamentais relacionadas ao clima, oceanos, atmosfera e planetas. Além do monitoramento de mudanças na superfície terrestre e detectação de desastres naturais, os serviços de satélites se tornaram pilares para meios de transporte, como GPS, fornecimento de sinal de televisão, internet, telefone e muitas outras coisas.


20) Voos espaciais

Após nove anos, em 2020 a Nasa retomou suas atividades espaciais com o lançamento de dois norte-americanos em órbita pela SpaceX, do bilionário Elon Musk. Como componentes essenciais para a exploração espacial, os voos para o espaço também apoiam atividades como lançamentos de satélites, turismo espacial, exploração de outros planetas e estudos climáticos.


Fonte: Forbes

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