Bernardo Quintão: como é formado o preço do bitcoin no mercado brasileiro?

Na semana passada, com o preço do bitcoin superando a máxima histórica no Brasil (quase nos R$ 80 mil), muitos investidores começaram a se perguntar por que o preço superou a máxima histórica no Brasil, mas não em outros países.



Uma das primeiras coisas que toda iniciante no universo das criptomoedas percebe é que o bitcoin — e outras criptomoedas também — não possui um preço só.

Não há um local “oficial” que diga qual é o preço do bitcoin neste exato momento. Existem preços diferentes em “mercados” diferentes. Por mercado, entende-se principalmente as exchanges de cripto ao redor do mundo.


O preço do bitcoin é determinado pela oferta e demanda nessas diferentes plataformas, tanto no Brasil, quanto no exterior. O que intriga quem está começando na área é como isso funciona. Em linhas gerais, o preço do bitcoin é determinado ao redor do mundo considerando os seguintes fatores:


– do lado da oferta, por mineradores que vendem os bitcoins minerados por dólares ou outra moeda local para pagar seus custos de mineração e remunerar as suas operações;


– do lado da demanda, principalmente pelo comprador-investidor — aquele que acredita que manter bitcoins (ou outras criptomoedas) em seu portfólio ajuda a melhorar a rentabilidade e o risco de sua carteira de investimentos. Também existe o perfil de comprador que usa bitcoins para pagamentos on-line, para a compra de outras criptomoedas ou para transferências entre países.


No Brasil, não temos grandes mineradores de bitcoin para suprir o lado da oferta do mercado nas exchanges nacionais, o que acaba aumentando o preço da criptomoeda por aqui.


Segundo o Cambridge Centre For Alternative Finance (CCAF), a mineração brasileira representa apenas 0,03% do poder de mineração total que existe no planeta. Por outro lado, temos um número bem grande de investidores que compram bitcoins para suas carteiras.


Isso gerou um efeito complexo ao longo dos anos: é possível perceber que a demanda no Brasil é muito maior do que a oferta, gerando prêmios de preço. Em outras palavras, o preço do bitcoin em real é geralmente mais caro do que o preço do bitcoin em dólar.


Não é à toa que um novo tipo de participante surgiu no mercado cripto: o arbitrador, aquele investidor que compra bitcoins fora do Brasil e vende no Brasil por um preço maior.

Essas operações podem ser feitas de forma manual mas, atualmente, já existem arbitradores profissionais, com seus algoritmos de negociação fazendo esta arbitragem entre exchanges internacionais e exchanges brasileiras.


O lado positivo dos arbitradores é que eles geram liquidez para o mercado local, facilitando a vida dos usuários brasileiros que querem comprar bitcoins sem pagar grandes prêmios ou fazer remessas para exchanges fora do Brasil.

Bernardo Quintão é diplomat do Mercado Bitcoin.


Fonte: MoneyTimes

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