Ele fugiu da guerra na Síria e conquistou o sucesso no Brasil com restaurante árabe

Eyad Abou Harb abriu o New Shawarma em um box de 1,5 m²



Em 2011, o cozinheiro Eyad Abou Harb recebeu uma carta do governo sírio: ele deveria se apresentar imediatamente ao exército, para lutar na guerra civil que estava dizimando seu país.


Em pânico, o jovem de 18 anos foi pedir orientação ao pai. “Você precisa sair da Síria”, foi a resposta que ouviu. Deixando os pais, três irmãos e a noiva para trás em Damasco, ele viajou primeiro para a Jordânia, depois para o Líbano.


Em Beirute, encontrou um amigo que deu uma dica preciosa: se ele fosse até a embaixada brasileira, conseguiria um visto para entrar no país.


Ao desembarcar em São Paulo, em 2013, teve a ajuda de um taxista camarada, que escutou a palavra “árabe” e o levou para o bairro do Brás, em frente a uma mesquita.


Com apenas US$ 100 no bolso, foi obrigado a dividir um quarto com outros quatro refugiados durante 15 dias.


Mas logo conseguiu um emprego em um restaurante, e foi morar na casa ao lado. “A dona era uma senhora muito gentil, que me acolheu como se fosse seu filho”, diz. O passo seguinte foi procurar um ponto comercial: “Eu não queria viver de salário. Queria ter o meu próprio negócio”, diz.


No final de 2016, Abou Harb investiu R$ 5 mil em uma máquina para preparar o shawarma — um popular sanduíche árabe com carne ou frango, pasta de alho, picles e batata frita no pão sírio. Depois, comprou uma geladeira usada, alugou um box de 1,5 m² no Brás e abriu o New Shawarma.


A inauguração foi anunciada em um post do Facebook: naquele dia, todos os sanduíches seriam de graça.


O sucesso foi imediato. Em menos de um ano, o empreendedor juntou o suficiente para alugar um espaço maior e transformar o local em um restaurante. A fama dos sanduíches cresceu no boca a boca e, em janeiro de 2018, foi inaugurada uma segunda unidade, no bairro da Penha.


Em pouco tempo, havia filas na porta. “Nunca investi em propaganda. O crescimento foi orgânico”, diz o empreendedor de 26 anos. Atualmente, as duas lojas vendem cerca de 300 shawarmas por dia. “Até o final do ano, abro a terceira unidade. E já estou me preparando para franquear. Quero levar a minha marca para todo o Brasil.”


Nada disso, diz ele, seria possível se não tivesse sido recebido de braços abertos. “Tudo que eu planejei, eu consegui realizar. Não trocaria este país por nada.”


Marketing à moda árabe


Em busca do público ideal Em 2015, antes de inaugurar o New Shawarma no Brás, Abou Harb chegou a ocupar um ponto movimentado no centro de São Paulo. Mas não deu certo. “O público confundia o lanche sírio com os ‘churrasquinhos gregos’.” O negócio só deslanchou com a mudança para o Brás, um dos bairros com a maior concentração de árabes e descendentes na capital.


Ímã de clientes


O público brasileiro não conhecia o shawarma. Por isso, Eyad usou uma tática comum entre os empreendedores de tecnologia. No primeiro dia, ofereceu uma degustação gratuita para todos que foram ao restaurante. “A ideia é fidelizar o cliente, para que depois ele concorde em pagar pela refeição.”


Franquias planejadas


Todos os dias, o empreendedor recebe dezenas de mensagens de interessados em abrir uma franquia da marca. “Mas não estou pronto. O planejamento tem de ser rigoroso. Quero ter certeza de que cada unidade terá a mesma excelência do restaurante original. Quando você está no alto, é fácil cair. Não vou deixar isso acontecer.”


Fonte: Revista PEGN

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