Goldman Sachs aponta 39 ações como potenciais bolhas no mercado

Banco de investimentos revela empresas cujos papéis estão com múltiplos elevados, mas diz que não vê indícios de uma bolha sistêmica do mercado


Fonte: Exame

Bolsa de Nova York em dia de forte queda no início da pandemia: crescem alertas de bancos sobre ações sobrevalorizadas (Brendan McDermid/Reuters)



O tema da bolha de preços entrou de vez no noticiário e nos relatórios de bancos e corretoras do mercado financeiro. Desta vez, foi o Goldman Sachs que preparou um relatório em que aponta 39 ações em bolsas americanas que estão com múltiplos tão elevados e acima da média histórica que demandam uma atenção redobrada dos investidores.


“Partes do mercado demonstraram recentemente um comportamento do investidor consistente com bolhas”, disse o estrategista-chefe do Goldman Sachs para ações nos Estados Unidos, David Kostin, em entrevista à CBNC.


O documento do banco de investimentos toma como base o múltiplo EV-to-sales (a relação entre o enterprise value, o valor da firma, e as vendas) de companhias listadas e aponta 39 ações que apresentam um indicador acima de 20 vezes. É um número de referência que, segundo Kostin, pode ser interpretado da seguinte forma: dificilmente investidores que estejam com esses papéis vão conseguir o retorno que desejam.


Na média das empresas que compõem o S&P 500, esse múltiplo é de 4 vezes.

“Desde 1985, ações de empresas com múltiplos EV-to-sales acima de 20 vezes conseguiram entregar um retorno de -1% nos 12 meses subsequentes, abaixo da média de ganho de 6% de todas as ações”, afirmou Kostin ao Yahoo!Finance. Não significa, por outro lado, que os papéis correm necessariamente o risco de perdas elevadas à frente.

Não há nenhuma big tech entre as 39 ações listadas pelo Goldman, ou seja, companhias como Apple, Amazon ou Facebook. A Tesla, companhia que mais se valorizou em 2020, com alta superior a 700%, tampouco entrou na seleção.


Mas há empresas de tecnologia que entraram no hype de investidores no último ano, incluindo algumas novatas que abriram o capital (por meio de IPOs).


É o caso da Snowflake, a startup de armazenamento de dados na nuvem, e da Palantir, empresa de inteligência e coleta de dados co-fundada pelo empreendedor serial Peter Thiel, que foi um dos criadores do PayPal. Elas são negociadas com múltiplos EV-to-sales de 71 e 25 vezes, respectivamente, levando em conta os 12 meses futuros.


Duas companhias que se beneficiaram do trabalho remoto com suas plataformas de videoconferências e de mensagens, o Zoom e o Slack, também entraram nesse lista, com múltiplos de 31 e 21 vezes, respectivamente, no mesmo critério.


A empresa com múltiplos mais elevados é a Crispr Therapeutics, de biotecnologia, negociada a 222 vezes o EV-to-sales.


Otimismo com o mercado


Mas, apesar de apontar que existem ações e segmentos do mercado cuja valorização dos preços, descolada de fundamentos, pode remeter a bolhas, o banco americano aponta que não enxerga no momento um risco sistêmico que possa afundar todo o mercado, a exemplo do que aconteceu em crises passadas como a de 2008.


“Os valuations de empresas estão extremamente elevados em bases absolutas. Mas se levarmos em conta as baixas taxas de juros, o índice agregado ainda está abaixo da média história para valuations”, disse Kostin.


O Goldman mantém a sua projeção para que o S&P 500 encerre o ano com 4.300 pontos, o que significa uma valorização de 11% em relação ao atual patamar.


Veja abaixo as 10 ações com maiores múltiplos (EV-to-sales):

  1. Crispr Therapeutics (biotecnologia): 222 vezes

  2. Snowflake (tecnologia): 71

  3. Power Assets (energia): 66

  4. C3.ai (tecnologia): 55

  5. Plug Power (indústria): 47

  6. CrowdStrike (tecnologia): 40

  7. Bill.com (tecnologia): 39

  8. Coupa (tecnologia): 37

  9. Zscaler (tecnologia): 35

  10. Argenx (biotecnologia): 35


Fonte: Exame

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