Jovens de 23 anos criam startup do novo normal e captam US$ 1,2 mi

Brasileiro e amigo checo criam plataforma de gestão para eventos online, a Ribbon Experiences



Tente lembrar o que estava fazendo aos 23 anos. Já estava pensando em negócios? No seu próprio? Pois é o que faz a dupla de jovens Matteo Carroll e Vojta Drmota, 24 horas por dia, sete dias por semana. A única diferença é que cada um deles está em um fuso-horário. Carroll, no Brasil, e Drmota, na República Tcheca. Os amigos, que se conheceram jogando futebol em Harvard, onde ambos acabam de concluir suas graduações, são agora sócios e fecharam a primeira rodada de captação de recursos mais estruturada de suas vidas, de capital semente, para a Ribbon Experiences. Estreantes, atrairam a atenção de fundos habituados a investir em negócios do Vale do Silício.


O projeto foi pensado, executado e colocado em operação em menos de dois meses. A Ribbon, uma plataforma eletrônica para gestão de eventos online, não é apenas uma solução para problemas contemporâneos. É, toda ela, um exemplo do novo normal. Além de ser fundada por jovens que, mais do que conhecem, vivem o universo digital, não tem sede física, é usada internacionalmente e os novos funcionários poderão também estar em qualquer lugar do mundo. É fluída e sem fronteiras, embora oficialmente baseada em São Francisco. E, impossível não notar, seu fundador trabalha de moleton e sandálias birkenstock.


Quando veio a pandemia, Carroll e Drmota voltaram temporariamente para seus países de origem. Cada um em seu canto, os amigos foram trocando ideias e perceberam a carência do momento: com os negócios físicos fechados, as pessoas precisavam continuar vendendo seus serviços para sobreviver de alguma outra forma. Havia todo um coletivo dos diversos tipos de professores e criadores de conteúdo que estavam sem seus negócios tradicionais, mas com suas capacidades plenas.


O mundo digitalizado e interligado deu as ferramentas para que o conteúdo pudesse ser distribuído para as pessoas em suas casas. Mas faltava ainda uma solução que organizasse a vida comercial, que permitisse uma gestão eficiente. Era, então, meio de abril quando eles colocaram a mão na massa decididos a dar um jeito nisso.


No início de junho, chegava ao mercado a Ribbon Experiences. Pela plataforma, professores de yoga, pintura, desenho, mágicos e toda sorte de criadores, mestres e disseminadores de conteúdo podem oferecer seus conteúdos online ou montar uma biblioteca própria e organizar desde a programação das aulas, a comunicação com alunos, a formação de grupos e até controlar a vida financeira. Dentro da solução, é possível fazer a cobrança, incluindo a facilidade do cartão de crédito, e acompanhar quem está em dia ou não com os pagamentos. Tudo automatizado.


Sem grande esforço de marketing e divulgação, a Ribbon já tem ou teve (alguns são permanentes e outros usuários de eventos únicos) 950 criadores em sua plataforma, de dez diferentes países do mundo, e mais de 45 mil usuários clientes desses profissionais conectados. Tudo isso nesses poucos meses de vida. O desempenho levou os sócios naturalmente a buscar recursos para crescer e contratar equipe.


“Vimos muita gente colocando cursos, aulas de ginástica, yoga, no Instagram ou promovendo aulas transmitidas via Zoom”, lembra Carroll. “Mas não tinha nada para organizar isso, e muitas vezes era difícil fazer a venda propriamente, cobrar e acompanhar pagamentos.”


O objetivo da Ribbon Experiences é facilitar a vida para que “creators” — como os fundadores chamam os criadores de conteúdo — possam ganhar a vida dessa forma. Mas ela também trilha a rota da nova normalidade, ou seja, daquilo que se tornou possível durante a pandemia e que as pessoas vão incorporar como hábito. “Quem gosta de yoga pode procurar mestres da Índia sem ter de viajar até lá. Do jeito que o mundo está interligado isso é perfeitamente possível”, conta Carroll.


A Ribbon não é o meio da transmissão, que continua sendo o de preferência do profissional — Zoom, Google Meeting, Instagram, ou o que o cliente julgar conveniente. “Mas 99% usa Zoom.” Se o cliente tiver um site próprio, a Ribbon faz a integração. Se não tiver, pode fazer um com as ferramentas da plataforma, que se integra com a rede que o criador quiser usar. As próximas ferramentas que os sócios vão agregar são mais e mais facilidades de comunicação, com tecnologia para produção de newsletters ou mensagens instantâneas. “Esse mercado de eventos online tem um enorme potencial a ser explorado”, diz Carroll.


A Ribbon acaba de concluir sua primeira rodada em busca de capital semente, num total de 1,2 milhão de dólares. A ideia, com os recursos, é contratar gente — em qualquer lugar do mundo — e seguir agregando funcionalidades. O fundador conta ainda, por ser um facilitador da gestão, a plataforma é versátil para controle de aulas presenciais também. “Alguns usuários já começaram a ter esse mix.”


Break-even? Praticamente sem custos (pois hoje trabalham basicamente ele e o sócio amigo), a plataforma já é lucrativa. A remuneração vem de uma taxa de serviço cobrada dos criadores. Quando questionado se não se sentia excessivamente responsável e demandado profissionalmente para sua idade, simplificou que não sente esse peso. “Não é só trabalho, é paixão.”

Fonte: Exame

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