No mundo pandêmico, o dinheiro está mudando de mãos

Segundo o IBGE, até junho, mais de 520 mil empresas haviam fechado suas portas em definitivo



Texto por Flávio Augusto da Silva, Presidente da Wiser Educação e dono do time de futebol Orlando City


Antes de mais nada, muito prazer. Meu nome é Flávio Augusto da Silva. Sou empresário do setor de educação no Brasil, com a Wiser Educação, e atuo no setor de esportes nos Estados Unidos, com o clube de futebol Orlando City. Aceitei o carinhoso convite da Forbes Brasil e estaremos juntos aqui por muitas edições.


Vou começar falando sobre mudanças, novos ventos e novos protagonistas (afinal, o dinheiro está mudando de mãos).


Quem esperava que o ano seria assim, quando celebramos o último Réveillon? Foram sustos e mudanças de planos que nos exigiram muita flexibilidade e criatividade para mantermos nossos negócios de pé. Nem todos conseguiram. Segundo o IBGE, até junho, mais de 520 mil empresas haviam fechado suas portas em definitivo. Por outro lado, algumas empresas crescem como nunca, faturam como nunca e planejam o domínio de um mercado cheio de espólios disponíveis. Como? Quando ligamos o modo sobrevivência, assumimos riscos que antes não cogitávamos e tiramos da cartola estratégias mais ousadas e criativas.


Para você, que quer continuar de pé e crescer, separei quatro sugestões:


1) Não negue a crise. A autoajuda e o hábito de pensar positivo ganharam o senso comum. O problema é que algumas pessoas confundem “pensar positivo” com negação. Se negarmos um problema, deixaremos de endereçar uma solução para ele. E podemos morrer por uma doença que seria facilmente tratada. Ao abrir um negócio, um dos maiores erros do empreendedor é pensar: “ Vai dar tudo certo”. Não, não vai dar tudo certo. Um empreendimento bem-sucedido é aquele em que muita coisa deu errado. Mas o empreendedor buscou uma solução, mudou a estratégia, aportou mais capital ou começou tudo de novo. Ser otimista é estar disposto a enfrentar os obstáculos, e não negá-los.


2) Cash is king. Fluxo de caixa é o seu oxigênio, e sem ele não há vida. Se, por um lado, as despesas precisam ser reduzidas, supri-mindo excessos antes não percebidos, por outro, novas fontes de receita são necessárias. Nos últimos seis meses, nunca se vendeu tanto por delivery, nunca se comprou tanto pela internet e tampouco se fizeram tantos cursos sem sair de casa. Na pandemia, muitos empresários demoraram a agir porque estavam tomados pelo positivismo barato que os convencia de que “não vamos passar mais de 15 dias fechados”. Já se vão sete meses que temos nossas mais de 400 escolas da Wise Up fechadas. Mas nós agimos rápido. Reduzimos despesas e criamos soluções para atender nossos clientes e gerar novas fontes de receitas com produtos online.


3) Nada de comitê político. O cenário político tornou-se extremamente polarizado – os grupos de WhatsApp da família ficaram tensos, velhos amigos viraram inimigos, há fake news por toda parte. Cuide para que esse ambiente tóxico não invada sua empresa. Se esse Fla-Flu ganhar espaço no seu negócio, o senso de time e a união das equipes se dilaceram.


4) Pratique o desapego. Numa crise, tão logo você tenha o diagnóstico correto das circunstâncias, esteja aberto para não lançar mais aquele produto que você ficou meses planejando, reveja aquela estratégia que parecia genial, adie o sonho de ter uma sede cinematográfica. Essa “leveza” vai ajudá-lo a ocupar os espaços deixados pelos players que relutaram em fazer as mudanças necessárias.

Um dia, a Covid-19 será apenas um capítulo das histórias que contaremos aos nossos netos. Mas ficaremos com essa certeza: tudo muda. De tempos em tempos, o dinheiro muda de mãos. Esteja preparado para que sejam as suas.

Fonte: Forbes

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