Se ocupar o lugar do ouro, bitcoin pode chegar a US$ 146 mil, diz JPMorgan

Analistas do JPMorgan divulgam previsão otimista para o bitcoin no longo prazo, mas fazem ressalva quanto aos riscos da alta acelerada


Sede do JPMorgan (Mike Segar/File Photo/Reuters)



Apesar de ter subido quase 400% em 2020, o bitcoin ainda tem muito espaço para crescer. É isso que afirmam analistas do banco JPMorgan, em artigo publicado pela Bloomberg, no qual citam que os ganhos podem ser substanciais no longo prazo, à medida que o ativo digital comece a ocupar o espaço do ouro em investimentos institucionais.


Os especialistas do banco, liderados por Nikolaos Panigirtzoglou, dizem que, caso o bitcoin seja bem-sucedido como alternativa ao ouro, poderia valer quase cinco vezes o seu preço atual.


A conta é simples: se atualmente a capitalização de mercado do bitcoin é de cerca de 575 bilhões de dólares, ela precisaria crescer 4,6 vezes para chegar ao market cap do ouro (fundos, barras e moedas, sem contar reservas não-exploradas). Se isso acontecer, o preço também é multiplicado, chegando ao valor de 146 mil dólares — atualmente, o criptoativo é negociado por volta de 32 mil dólares.


Panigirtzoglou e sua equipe, entretanto, fazem a ressalva de que essa perspectiva depende da diminuição da volatilidade do bitcoin para patamares semelhantes à do ouro, o que poderia alavancar ainda mais os investimentos institucionais no ativo digital — processo que está começando mas, segundo os analistas do JPMorgan, ainda levará um bom tempo:


“A eliminação do ouro como moeda ‘alternativa’ implicaria em grandes vantagens para o bitcoin a longo prazo”, escreveram os estrategistas, acrescentando, no entanto, que “é improvável que uma convergência nas volatilidades do bitcoin e do ouro aconteça rapidamente e, em nossa mente, é um processo de vários anos. Isso implica que a meta de preço teórica do bitcoin acima de 146 mil dólares seja considerada uma meta de longo prazo e, portanto, uma meta de preço insustentável para este ano”.


Mesmo com a alta acelerada e constante dos últimos meses, o bitcoin continua apresentando muita volatilidade — a prova mais recente disso foi a queda, em poucos minutos, de mais de 15% no preço do ativo na última segunda-feira (4), para se recuperar poucas horas depois.


Por isso, os analistas do JPMorgan vêem certa dificuldade para o ativo no curto prazo, devido principalmente a indicadores como o acúmulo de posições “compradas” no mercado especulativo e o aumento no número de carteiras com pequena quantidade do ativo, o que, segundo o banco, pode indicar uma bolha.


“O cenário de avaliação se tornou muito mais desafiador para o nitcoin neste início de novo”, disseram os especialistas. “Embora não possamos excluir a possibilidade de que a atual mania especulativa se propague, empurrando o preço do bitcoin para a região de consenso entre 50 mil e 100 mil dólares, acreditamos que tais níveis de preços se provariam insustentáveis.”


Deposi de começar 2020 valendo cerca de 7 mil dólares, o bitcoin fechou o ano perto de 30 mil, valor que foi superado nos primeiros dias de 2021, quando registrou sua máxima histórica, acima de 34.500 dólares. No mercado brasileiro, o ativo digital é negociado a 175 mil reais, valor mais de seis vezes maior do que os 28 mil reais de janeiro de 2020.


Fonte: Exame

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