Startup Favo, que reinventa o mercado de bairro, recebe aporte de R$ 35 milhões

A empresa faz venda porta em porta de produtos de supermercado e quer substituir as mercearias de esquina. Entenda o potencial que os fundos viram neles


Fonte: Exame

Alejandro Ponce e Marina Proença, fundadores da Favo: a empresa nasceu no Peru no final de 2019 e desembarcou no Brasil em fevereiro de 2020 (Favo/Divulgação)



Fazer compras de supermercado pela internet era algo para poucos no Brasil antes da pandemia de coronavírus. O isolamento social tornou a prática bem mais corriqueira, e hoje muitos brasileiros estão acostumados a usar o celular para comprar desde papel higiênico até legumes e verduras. Aproveitando o crescimento do delivery de mercados, uma startup peruana cresce no Brasil e chama a atenção de grandes investidores com seu modelo inusitado para as compras de supermercado.


Ela é a Favo, uma empresa fundada no final de 2019 pelo peruano Alejandro Ponce (cofundador do Nexus Group) e pela brasileira Marina Proença (ex-Click Bus). A startup usa uma rede de revendedores para vender diretamente nos bairros e condomínios de São Paulo e Lima.


A venda de porta em porta, atualizada para o século XXI, é feita primordialmente pelo WhatsApp. Com catálogos de promoções, os empreendedores parceiros da startup vendem para a vizinhança. No final do dia, eles repassam os pedidos para a central, que envia os produtos na manhã seguinte. A distribuição na casa de cada cliente fica a cargo dos revendedores.


Em cerca de um ano de operação, a startup já realizou mais de 170.000 pedidos e anuncia ter recebido aportes que somam 35 milhões de reais de fundos de capital de risco como o Global Founders Capital (GFC), investidor de companhias como Facebook e Linkedin, e o Elevar Equity, que fez aportes na Nuvemshop e na Justo.


Unidos pelo propósito


A Favo nasceu da busca de Ponce por propósito. Depois de deixar o fundo de private equity Nexus Group, onde trabalhou por 20 anos com grandes redes de varejo e supermercados, o empreendedor conheceu o conceito de compras coletivas e percebeu o grande potencial que o modelo teria para reduzir custos e gerar renda na América Latina.


Enquanto estruturava o negócio, os gestores do GFC o apresentaram à empreendedora brasileira Marina Proença, que também estava decidida a começar empreender em um projeto de alto impacto social depois de ter trabalhado em algumas startups no Brasil.


“A Favo nasceu para transformar a compra de supermercado numa tarefa mais fácil, barata, humanizando a experiência. E só consegue fazer isso pela força das comunidades, da vizinhança, que se une para comprar e gerar renda para quem precisa”, afirma Proença.


Rede de empreendedores


Ao começar sua operação em 2019, a empresa buscou mulheres das classes B e C com experiência de vendas para serem as primeiras parceiras da Favo. Hoje são cerca de 2.500 pessoas cadastradas como revendedoras e cada uma delas recebe uma comissão de 7,5% a cada venda feita.


A empresa tem mais de 1.500 produtos cadastrados, desde frutas, verduras, legumes, a produtos de limpeza, higiene pessoal, itens para pets e descartáveis. Ao longo do ano, a companhia planeja disponibilizar também itens refrigerados.

Para pagar pelas compras, os clientes podem usar cartão de crédito, vale alimentação, Pix e dinheiro em espécie. Não há valor mínimo para compra nem taxa de frete.


Para orquestrar as entregas, a Favo tem dois centros de distribuição próprios, um em Embu das Artes e outro em Lima. No futuro, o plano da empresa é ter pequenos armazéns espalhados pelas cidades em que atua, para reduzir o custo e o tempo de entrega. Internamente, a companhia emprega 200 pessoas.


Planos de crescimento


Impulsionada pelo crescimento das compras online, a Favo cresceu a uma taxa de 40% ao mês ao longo de 2020. Em 2021, planeja manter o ritmo e terminar o ano com faturamento mensal de cerca de 40 milhões de reais.


Agora, a empresa também organiza sua expansão geográfica pelo Brasil e para outros países da América Latina, como México, Colômbia e Chile.


Para financiar a abertura de novos mercados, a Favo deve ir em busca de um novo investimento, na faixa entre 50 e 70 milhões de reais, a partir de março.


Para os sócios, os desafios da operação em 2021 são variados. “É um negócio complexo, temos que pensar na margem, no sortimento, na logística, no treinamento. É uma companhia que trabalha 24/7 para seguir crescendo. Estamos construindo um unicórnio enquanto transformamos a vida dos empreendedores”, diz Ponce.


Fonte: Exame

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